As redes sociais seguem no centro da comunicação das marcas, mas a lógica de crescimento mudou. Relatórios divulgados nos últimos meses mostram que o alcance hoje depende menos da base de seguidores e mais da capacidade de ser descoberto, com conteúdo consistente, identidade clara e uso estratégico de mídia paga.
O relatório de tendências 2026 da Dash Social, publicado em setembro, aponta que 55% das visualizações no Instagram já vêm de pessoas que não seguem o perfil. No TikTok, 54% das visualizações chegam pela página Para Você. Ao mesmo tempo, o crescimento médio de seguidores no Instagram caiu de 1,7%, em 2023, para 0,9% em 2026, enquanto os compartilhamentos cresceram mais de 50% no período.
O estudo também mostra que publicar mais não significa engajar mais. Marcas com até seis publicações por semana registraram engajamento 20% maior do que as que postam com mais frequência. Conteúdos com identidade visual e narrativa próprias geraram 35% mais salvamentos e 18% mais compartilhamentos no TikTok, e 23% mais salvamentos no Instagram, em comparação com publicações genéricas.
Outro dado relevante é a combinação entre orgânico e impulsionamento. Segundo o levantamento, quando os posts de melhor desempenho orgânico recebem investimento em mídia, o alcance chega a 7,3 vezes a audiência original. Entre as marcas com melhores resultados, cerca de 77% do crescimento anual aconteceu fora das quatro semanas de pico, o que reforça o peso da constância sobre ações pontuais.
No Brasil, o cenário amplia a importância dessas estratégias. Dados do DataReportal indicam que o brasileiro passa, em média, 3 horas e 37 minutos por dia nas redes sociais, o terceiro maior tempo do mundo. O YouTube soma 142 milhões de usuários ativos no país, o Instagram ao menos 132,6 milhões e o TikTok 84,1 milhões de usuários adultos. O WhatsApp ultrapassa 170 milhões de contas.
A pesquisa Global Insights, da DoubleVerify, mostra que 42% dos consumidores brasileiros esperam passar ainda mais tempo nas redes, índice acima da média global, de 28%. O levantamento também aponta que 37% dos brasileiros já fizeram compras com base em recomendações de influenciadores e que 69% encontraram conteúdo criado por inteligência artificial nas plataformas.
Para a Caoli Comunicação Integrada, os números reforçam que presença digital eficiente passa por planejamento. Isso inclui calendário editorial consistente, conteúdo com identidade própria, formatos em vídeo, leitura constante de métricas como salvamentos e compartilhamentos, e investimento em mídia direcionado aos conteúdos que já performam bem de forma orgânica.
Em um ambiente em que o algoritmo decide boa parte de quem vê cada publicação, a marca que conquista atenção é a que entrega relevância com regularidade, e não apenas volume.